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Governo federal e UnB lançam 'Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil'

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Data Publicação

28/03/2025

10:34h

O Ministerio dos Direitos Humanos e da Cidadania e a Universidade de Brasilia (UnB) lancam, na manha desta sexta-feira (28), o Observatorio de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (Obdes).

So em 2024, mais de 66 mil pessoas desapareceram no Brasil, segundo dados do Ministerio da Justica. A maioria dos desaparecidos sao criancas e adolescentes – o equivalente a 20 mil pessoas com ate 17 anos.

O objetivo e investigar as circunstancias, dinamicas e causas do desaparecimento de pessoas em diferentes regioes do Brasil.

O Ministerio dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Universidade de Brasilia (UnB) lancaram, na manha desta sexta-feira (28), o Observatorio de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (Obdes).

So em 2024, mais de 66 mil pessoas desapareceram no Brasil, segundo dados do Ministerio da Justica. A maioria dos desaparecidos sao criancas e adolescentes – o equivalente a 20 mil pessoas com ate 17 anos. No mesmo periodo, 43,5 mil vitimas foram recuperadas.

🔎 O Observatorio reune 17 pesquisadores de Brasilia, Rio de Janeiro e Sao Paulo. Segundo o MDHC, as atividades de pesquisa terao duracao de, pelo menos, um ano. O objetivo e investigar as circunstancias, dinamicas e causas do desaparecimento de pessoas em diferentes regioes do Brasil.

Ainda conforme o ministerio, o Observatorio soma-se a Politica Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. O objetivo e aprimorar o conhecimento sobre o desaparecimento de pessoas no pais de forma "que orientem a adocao de estrategias e acoes rapidas e eficazes de combate".

⚠ Alem de criancas e adolescentes, conforme levantamento do Ministerio da Justica, tambem se destacam no numero de desaparecidos outros grupos vulneraveis:

indigenas;

idosos;

pessoas em situacao de rua;

comunidade LGBTQIA+;

jovens negros que vivem nas periferias das cidades brasileiras.

Ao g1, Bruna Martins Costa, diretora substituta de Defesa dos Direitos Humanos e coordenadora do Comite Gestor da Politica Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas do MDHC, explicou que ha a compreensao no pais de que o desaparecimento nao e um fenomeno atual.

"A gente convive com essa violencia, com essa violacao de direitos humanos, mesmo apos a redemocratizacao com a Constituicao de 1988. Essa confusao faz com que a gente nao consiga ter informacoes qualificadas sobre desaparecimento de pessoas ainda hoje, e isso dificulta muito na elaboracao de politicas publicas", diz Bruna Martins Costa.

"A gente convive com essa violencia, com essa violacao de direitos humanos, mesmo apos a redemocratizacao com a Constituicao de 1988. Essa confusao faz com que a gente nao consiga ter informacoes qualificadas sobre desaparecimento de pessoas ainda hoje, e isso dificulta muito na elaboracao de politicas publicas", diz Bruna Martins Costa.

Desaparecimentos no Brasil

Segundo Bruna Martins Costa, o desaparecimento pode ocorrer de diferentes formas:

desaparecimento voluntario: uma pessoa que saiu de casa porque quis;

desaparecimento involuntario: muito ligado ao desaparecimento de criancas e adolescentes;

desaparecimento forcado: quando ha envolvimento de agentes do Estado, principalmente, mas tambem de grupos armados;

desaparecimento politico: quando se restringe as pessoas que eram opositoras do regime militar durante a ditadura;

desaparecimento administrativo: quando o proprio Estado, por omissao ou por acao, promove o desaparecimento de alguem.

A coordenadora explica que, atualmente, ha uma forma de coletar informacoes sobre desaparecidos por meio do sistema on-line do Ministerio da Justica. No entanto, ela pondera que existem problemas para agrupar esses dados.

"Essas informacoes sao contabilizadas a partir dos boletins de ocorrencia. Entao, aqueles desaparecimentos que nao estao notificados como boletim ficam fora. Alem disso, nao necessariamente o familiar ou amigo que comunicou o desaparecimento da pessoa comunica quando ela foi localizada", diz.

"Essas informacoes sao contabilizadas a partir dos boletins de ocorrencia. Entao, aqueles desaparecimentos que nao estao notificados como boletim ficam fora. Alem disso, nao necessariamente o familiar ou amigo que comunicou o desaparecimento da pessoa comunica quando ela foi localizada", diz.

Por isso, para ela, o Observatorio vai ajudar a direcionar um olhar qualitativo para os desaparecimentos no Brasil, especialmente com enfase em grupos vulnerabilizados.

"A ideia e que ele funcione pelo menos um ano, mas a gente ja vislumbra a necessidade de uma duracao maior", diz Bruna.

"A ideia e que ele funcione pelo menos um ano, mas a gente ja vislumbra a necessidade de uma duracao maior", diz Bruna.

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